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Advento: Um novo tempo

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Com a celebração da Festa de Cristo Rei do Universo termina o ano litúrgico B e começa o novo ano litúrgico C, que se inicia com o tempo chamado Advento.

Ao longo de 5 semanas somos confrontados com um tempo diferente que nos faz apelo ao silêncio, à oração e à conversão, isto é, a uma metanóia, ou seja, a uma mudança de vida.

A Liturgia nestas últimas semanas tem-nos alertado para uma vigilância “Vigiai e orai porque não sabeis o dia em que virá o Filho do Homem”. Pedagogicamente, a Igreja traz-nos uma série de leituras, tiradas da Bíblia, para que nos preparemos bem para a próxima festa que se aproxima que é o Natal, quando se celebra o feito mais notável que foi o nascimento de Deus-Menino que quis vir habital em tenda humana, no seio da comunidade palestiniana.

A nossa sociedade hoje é uma sociedade de barulho. Muito ruído, que não impede de prescrutar a voz da consciência que nos aponta sentidos novos a seguir para que um dia, aquando da escatologia nos encontremos com Deus e os eleitos que respousam à sua direita...

Também a oração vai saindo do hábito dos cidadãos... Não se reza em casa porque a família para além de ter perdido o sentido de Deus, está dividida e já não se encontra; não se reza na escola porque os estados laicos estão aterrorizados com o sinal da Cruz e com os crucifixos... Não se reza na Igreja porque os cristãos ainda não descobriram o valor da oração comunitária... e, por isso, continuam a dizer-se cristãos mas que não praticam, que é o novo modelo de cristianismo resultante da sociedade de consumo: cristão não praticante!

Mas o Advento é sobretudo um tempo de apelo à conversão, isto é, à mudança de vida. Nunca é tarde para recomeçar uma nova caminhada que implica, necessariamente, uma mudança de vida. E todos nós temos de nos converter, cada dia temos de temperar os nossos impulsos e seguir os apelos sucessivos que nos faz a Igreja para que sejamos imitadores de Jesus Cristo. Não é uma tarefa fácil porque o Evangelho é exigente – as aves do céu têm os seus ninhos e as raposas as suas tocas, mas o Filho do Homem não tem onde inclinar a cabeça... Apesar de tudo, ao longo da história muitos são os que confiam neste plano de vida e se têm consagrado a Deus nos irmãos...

Converter-se hoje, significa fazer a escolha pelos verdadeiros valores que não o mediatismo hodierno, mas antes uma forma de estar e de viver que nos aproxima dos critérios de Jesus, tão constestados pelos homens de hoje... Na família, na escola, no trabalho, na sociedade é preciso afirmarmo-nos com a palavra, os gestos, a acção...

Este Advento 2009 vai ajudar-nos, através da Palavra e de acções concretas paroquiais e humanitárias, a ser diferentes, “a viver como Jesus viveu” na expressão da canção do Pe. Zézinho. Só assim estamos a preparar o Natal, só assim estamos a responder ao apelo da mudança. Convertamo-nos!

Por: Salvador dos Santos | Arquidiocese de Évora

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