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Inter Mirifica

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A comunicação ao serviço do Evangelho

A comunicação é uma necessidade básica do ser humano. Com a evolução e o surgimento de novas técnicas, ela tornou-se mais sofisticada, aprimorando os seus métodos e dando origem a novas possibilidades.

Quando falamos em comunicação social, esta evolução fica mais clara. Não é por acaso que o Concílio Vaticano II determinou tais meios como "algo maravilhoso", apontando desde o primeiro parágrafo a sua importância e beleza: «Entre as maravilhosas invenções da técnica que, principalmente nos nossos dias, o engenho humano extraiu, com a ajuda de Deus, das coisas criadas, a santa Igreja acolhe e fomenta aquelas que dizem respeito, antes de mais, ao espírito humano e abriram novos caminhos para comunicar facilmente notícias, ideias e ordens. Entre estes meios, salientam-se aqueles que, pela sua natureza, podem atingir e mover não só cada um dos homens mas também as multidões e toda a sociedade humana, como a imprensa, o cinema, a rádio, a televisão e outros que, por isso mesmo, podem chamar-se, com toda a razão meios de comunicação social.» (Inter mirifica, n.º 1)

Antes de analisarmos o documento conciliar, porém, é importante percebermos a evolução da comunicação social. Apesar de a história da comunicação se confundir com a história humana, a comunicação de massa é um fenómeno recente. Muitos atribuem o seu início a Guttenberg, aquando da invenção da imprensa. Os livros produzidos em série a partir do século xv e os primeiros jornais no século xvii foram logo recebendo novos companheiros: o cinema no fim do século xix, o rádio e depois a televisão no início do século xx. A Igreja, porém, acompanhava tais meios com desconfiança, permitindo assim que muitas pessoas o utilizassem para fins pouco virtuosos.

O surgimento do decreto Inter mirifica (IM) foi como que uma necessidade para orientar os cristãos e convocá-los para um uso correcto dos meios de comunicação. Foi uma maneira de reconhecer a importância da comunicação de massa como meio capaz de movimentar indivíduos e sociedades e o seu valioso auxílio para o desenvolvimento do ser humano e para a evangelização (cf. IM, nºs 1-3). Os bispos sentiam o dever de tratar tais temas, por isso foi o segundo documento aprovado pelo Concílio, com 1960 votos a favor e 164 contra. Do projecto inicial de 114 parágrafos e 40 páginas restaram apenas 24 parágrafos e dois capítulos: «Normas para o recto uso dos meios de comunicação» e «Os meios de comunicação e o apostolado católico».

O primeiro capítulo aborda temas variados e mais genéricos. Logo no início, os bispos reconhecem que utilizar tais meios para a evangelização é um dever da Igreja, mas sempre respeitando o seu código moral e uso correcto, nos conteúdos, na finalidade, no público e assim por diante (IM, nºs 3-4). Deve também contribuir para formar uma recta opinião pública, pois todos têm direito à informação e à verdade (IM, nºs 8 e 5). Especial atenção deve ser dada aos jovens, mas traça linhas orientadoras para todos os receptores e autores, aos quais cabem as principais obrigações morais, pois são os responsáveis pelos media (IM, nºs 9-11). Por fim, alerta-se as autoridades civis para os seus deveres de controlar abusos, garantir a liberdade de expressão, favorecer as boas iniciativas e defender o receptor.

Os meios de comunicação ao serviço da missão católica é o tema central da segunda parte do documento. Outros dez parágrafos que incentivam e orientam o seu uso para o apostolado, para promover a boa imprensa, uma comunicação com valores e dignidade (IM, nºs 13-14). A Igreja deve preocupar-se com a formação dos autores para poderem dirigir as produções e emissoras. Deve ter meios de comunicação próprios, o que incentivou a criação de jornais, emissoras e programas radiofónicos e televisivos, livros, peças teatrais, filmes, etc. Deve preocupar-se também com a educação dos receptores, para que sejam sempre mais críticos e selectivos (IM, nºs 15-16).

O Inter mirifica tem um valor profundo por ser o primeiro documento pontifício a tratar da comunicação de massa e por apontar para várias iniciativas que ao longo dos anos se foram concretizando: criação do secretariado pontifício e secretariados nacionais, dia mundial da comunicação social, instruções pastorais, associações internacionais.

Todos os anos, para o Dia Mundial da Comunicação, celebrado no domingo da Ascensão, o Papa publica uma mensagem. É uma forma de actualizar o conteúdo do Vaticano II e adaptá-lo às novas descobertas e comportamentos humanos. Neste ano de 2009 o tema foi «Novas tecnologias, novas relações: promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade», onde aborda questões ligadas às novas tecnologias digitais e às mudanças que elas estão a provocar no modelo de comunicação e nas relações humanas.

Por: Irmão Darlei Zanon | Família Cristã | www.familiacrista.com

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